31 maio 2009

Ainda vive (…)

Está escuro, sinto-me sozinha. Lá fora está a chover e um arco-íris está a nascer… O sol começa a aparecer pelo meio de todo aquele temporal… Parece que um anjo está a cair. Algo me espera. Uma nova esperança? Talvez uma nova atitude. Mas estou presa dentro do meu quarto e, acorrentada à minha cama. Não consigo erguer-me, até me custa respirar. Tento visualizar o que rodeia e vejo fotografia com sorrisos… mas com riscos de caneta de tinta vermelha por cima. Que acontecera aqui? Sentia-me assustada. Comecei a pensar quando sairia daqui, as minhas pernas começaram a tremer e eu a chorar. Não me contive, a chama da derrota era mais forte. Nunca fui de acreditar em príncipes, mas hoje pensei nele, e naquele que me salvaria… Muito tempo passou, e nada aconteceu… Teria de me contentar com algo que me era dado. O meu alimento. Durante a noite, não sei quem, espetava-me no braço a agulha com soro. Não sentia dor, já não sentia nada. A dor do coração era maior. As estações foram passando, e fui perdendo a esperança, até desvanecer. Deixei de acreditar que alguma vez sairia daqui, ainda com vida. Hoje sinto-me cansada, e cito estas palavras para o céu. A janela está aberta, e já não estou acorrentada. Não me libertei sozinha, alguém o fez. Mas não consigo sair deste quarto… Algo me une a ele. Talvez tenha sido o imenso tempo que aqui passei. Estou sentada na cama, e uma música começou a tocar... Era uma melodia calma e suave. Uma rajada de vento abre com força as janelas e alguém salta para dentro do quarto. Não consigo visualizar quem o fez. A luz é forte demais. Pouco a pouco, a luz vai diminuído, e um rapaz vai aparecendo entre a pouca luz que ainda resta… Veio-me buscar. Pegou-me ao colo, manteve-se em silêncio e assim eu também me mantive. Agarrou-me com força ao peito dele… Sentia o coração dele a bater calmamente enquanto sabia que o meu estava acelerado. Tentei acalmar a minha respiração… O cheiro dele era tão agradável… Chegamos a um jardim… Tanta cor, tanta vida. Senti um arrepio. Olhei em volta, o rapaz mantinha-se a olhar para mim. Sorriu. O dia passou, até chegar a noite. Decidi dizer-lhe algo, não me recordando o que… Ele aproximou-se de mim, e no momento que parecia que me iria beijar, tudo desaparece. Acordo! Estou no quarto… Não acorrentada, mas ainda estou. Tudo fechado a sete chaves, um prato de comida ao meu lado… Foi um sonho, que parecia real. Acredito que tenha sido um sinal. A esperança não morreu.

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