03 agosto 2010

Uma rocha no horizonte

Quando estamos no topo de uma rocha, parece que estamos sobre o mar, e essa sensação é óptima. Sentimo-nos repletas de desejos e sonhos, de fantasias e miragens. Não nos controlamos na imaginação e somos capazes de relembrar tudo, até ao ínfimo pormenor.
A paisagem que temos à nossa frente, mostra-nos que o infinito pode parecer pouco, mesmo estando a metros de nós - parece pequena sobre os nossos pés. Olhamos para baixo e podemos imaginar uma queda dolorosa, mas… ao olharmos para cima, imaginamos um voo inacreditável, capaz de nos levar ainda mais longe do alcance dos nossos calcanhares. Contudo, se olharmos em frente, ficamos entre a dor e a realização. Se tivéssemos de escolher entre uma delas, escolheríamos voar, porque é uma sensação que nem sempre nos sentimos capacitadas a viver.
Ao descermos, parecemos mais próximas da satisfação e mais longe do salto. Molhamos os nossos pés na água, e sentimo-nos atordoadas com a gélida dor que entranha nos nossos ossos. Aproximamo-nos mais do infinito, e continuamos a caminhar, mesmo que aquele liquido frio, nos faça tremer, nos faça doer o corpo.
Não há nada que nos faça parar quando temos uma vista como aquela à nossa frente.
As horas começam a passar e o pôr-do-sol acelera a sua descida. Tenho a sensação que ele se procura esconder de mim ao longo do meu caminho, e por isso paro. Fico quieta e tenho a sensação que isso parou com ele o sol. Estamos frente a frente, à espera de quem dá o primeiro passo. É inevitável e previsível, pois ele continuou a esconder-se. Eu fico parada. Simplesmente à espera, que eu também possa, um dia, me esconder.
Decido continuar aquele caminho. Como já não sinto metade do meu corpo, decido atirar-me de cabeça. Mantenho-me debaixo de água, sem ar, sem força. Até que, a minha vontade, me empurra para cima e sou capaz de voltar a respirar. Uma enorme dor nos pulmões me faz virar costas ao pôr-do-sol, caminhar, olhar para trás e sorrir. Sorrir, porque vou puder voltar para a rocha, e lá, esconder-me, mantendo-me no meio da queda e da realização.

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