31 outubro 2010

Caminhada ruidosa

As palavras costumam fluir com a mesma velocidade enquanto escrevo e penso. Mas, ultimamente, tenho pensado demasiado.

Existe uma associação entre o passado e o presente. Não refiro o futuro, porque não me tem dado bom resultado – nunca dá!
Mas o passado atormenta. Dizemos que o esquecemos mas continuamos a olhar para trás. Pelo menos, falo por mim. Tenho caminhado bastante, e olho sempre para trás à espera de ver os passos desaparecerem, mas nunca acontece. Ficam marcados e torna-se complicado ultrapassá-lo.
Acho que é algo que acontece com todos, ou não?
Contudo, tudo é forte quando nos muda, mas também devia ser forte e fácil esquecer, e não é! É uma jornada difícil. Enquanto caminho, o som dos meus passos vão começando a diminuir, não por andar menos, mas por a sua importância ser menor. Gostaria que também fosses assim – menos importante.
Chega a uma altura em que o som desaparece, e eu começo a acreditar que isso significa que ficou esquecido no passado. Percebi que não. Eles não foram esquecidos. Simplesmente, o som hibernou por muito tempo, e um dia que acordar, tenho de voltar a caminhar até o som das pegadas desaparecer – de vez!
Por isso, sim. Em mim, o passado ainda existe no meu presente. Não por teorias filosóficas, mas por sentimentos. Por algo mais forte e puro. O amor nunca fica no passado, como as pessoas que não foram muito importantes para nós e esquecemos. O amor fica sempre! Quer cansado, quer magoado, vai continuar, até um outro amor, mais fraco e poluído, possa preencher o passado e criar um outro presente. Um que me faça caminhar mais devagar, e que as pegadas sejam mais fortes e ruidosas. Ainda que não seja possível, eu continuo a acreditar que existe sempre alguém que nos faça berrar, chorar e amar mais alto!
Como uma coisa completa a outra, só tenho de continuar a andar, de mão dada comigo mesma, esperando que o som se extinga de todos os sítios. Passado ou presente, de nós e de todos os amantes.

1 comentário:

  1. gostei muito de te ler, tens uma escrita bastante doce e profunda. muita força, porque um dia, todas estas palavras não passarão de recordações! Beijinho <3

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