Hoje recordo-me do passado. Ele que vagueia em todas as nossas vidas, fica sempre com um pequeno pedaço de nós, e no seu lugar, coloca o que marcou. O que marcou, o que magoou e o que nos alegrou. Por actos desse tempo, são abertas fissuras à nossa volta, que ficam incompletas como que por vezes, algo faltasse. Ao longo do caminho, os espaços abertos não desaparecem. Tem formas irreconhecíveis e eu mesma, não as consigo ler. Deveria conseguir – é o meu caminho. Todos traçamos as nossas próprias linhas, seguindo e imaginando as nossas próprias aventuras, derrotas e vitórias. Mas, falta sempre algo, falta sempre algo.
Temos consciência que tudo o que acontece, assim o é por algum motivo. Por vezes, falta a crença nesse motivo. Razão que muitas vezes, desconhecemos. Segue-se sempre por dúvidas, e fica connosco. Existem alturas que nem as queremos saber, por medo e insegurança que isso possa mudar o rumo.
Tentamos acreditar que o que se passou, lá ficou. Mas vai sempre acompanhar-nos. Existem actos irremediáveis, que nem sempre sabemos se o deveríamos ter feito ou não, ou até perdoado ou não. É difícil aceitar que tudo pode acontecer, até a nós mesmos. É difícil acreditar que aconteceu, que foi real. Desta forma, esse é apenas mais uma consequência do pedaço que vem connosco e da marca que lá fica.
Em movimento de todas as ondas, de toda a força do vento, de toda a vontade das nuvens, acabamos por aceitar e aprender a lidar com a situação mais difícil. O passado que nos segue até agora, até ao presente, vai sempre continuar. Não posso querer hesitar pensar no que aconteceu e seguir em frente, quando ainda temos assuntos pendentes a resolver. Fica sempre algo por fazer.
Tudo muda por um pouco. Tudo muda por muito tempo, e não volta. Mudanças que foram influenciadas por outrem apoiam-se no que ficou igual. Mas a ligação não é a mesma. É incerto ver que tudo voltará a ser como era, depois de algo mudar. Perde-se a razão, perde-se a força, perde-se o interesse. A luta acaba, e já não resta nada mais para continuar. As escolhas que fazemos em mudar, não nos deixam continuar, nem deixam ninguém se aproximar.
Um muro é criado, uma muralha se intensifica, essa, que se irá prolongar até ao futuro. A espera é dura e o tempo longo. Mas o difícil, é o inesperado, e a facilidade, o desinteresse.
Longamente, tudo continuará tal e qual como está… se anseio por mais? A cada minuto que passa. Se desejo por mais? É o que penso todos os dias. Se sonho por mais? Já fiz por tornar real.
A felicidade é algo que nos encaminha para o melhor, e nos guia sobre o pior. Contudo, a infelicidade é o que impede de nos movermos, e opõe-se a felicidade. Tudo isto são mais duas razões que influenciam o passado.
O resto do caminho continuará em frente. Acordo para o presente, esperando que tudo um dia passe, que tudo um dia se resolva. Que tu voltes, e que me consigas amar. Até lá, aguentar-me-ei firme, sem expectativas, apenas com sonhos. Amar-te, é o que mais consigo fazer.
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